...que meu coração quer ver colorido. Para mim, essa é a melhor definição desse sentimento que ninguém quer ter, mas com o qual todo mundo, em algum momento da vida, acaba esbarrando no caminho. Ela está numa música do Zeca Baleiro e traduz, em toda sua poesia, uma coisa que, às vezes, aperta o meu peito, e aposto que o seu, também. Pode ser a saudade de alguém que a gente não vê mais, de um acontecimento muito bom ou de um tempo passado, em que as coisas pareciam mais fáceis. Saudade não é só falta, é também uma baita frustração, porque a gente sente uma vontade imensa de voltar no tempo para “ver tudo colorido” de novo, mas sabe que é impossível. Esse negócio de “o que passou, passou”, é bom só para os grandes perrengues da vida. Mas é uma verdadeira pena que alguns momentos especiais simplesmente voem, sem agente se dar conta disso. Cenas tão boas da infância, curtições com os amigos, na adolescência, no momento em que descobrimos que o amor que sentimos pelo outro é recíproco - Ufaaa! Que felicidade! - Tudo isso mereceria ser eternizado. E muito mais. Agora, tem uma coisa: eu curto a melancolia, às vezes choro em silencio, mas sempre digo para mim mesma que o jeito é olhar pra frente. Porque tem outra música que diz que “a saudade engole a gente” - essa, cantada por Zizi Possi. Engole mesmo. Se dermos espaço, as lembranças vão deixando o peito tão apertado que a vida parece perder toda a graça, todo o brilho. Eu tenho medo desses momentos (que todo mundo vive, de vez em quando) em que a dor dói na alma. Essa não tem remédio que melhore e, de verdade, não tem cura, mesmo. Convivemos com ela, tentando deixá-la escondida num cantinho, fingindo que não está ali. É a única saída! Por outro lado, tento pensar que as boas experiências que vivemos nunca ficam perdidas num passado distante. Ao contrario: elas ajudam a moldar a nossa personalidade. Então, aquele parente ou amigo querido que partiu - para sempre, ou não - continuará sempre vivendo em nós, não apenas doces lembranças, mas também como um pedacinho do que nós somos. O amor que já acabou - e que deixou saudades - idem. É a coleção de foras e frustrações das paixões já vividas que nos prepara para curtir os relacionamentos futuros com mais segurança e maturidade. Pelo menos, esse é o meu jeito de dar pra saudade uma cara simpática, tornando-a um troço mais fácil de aturar. E pensa bem: se o mundo parasse nos momentos bons do passado, todo mundo sairia perdendo. Afinal, o futuro traz sempre mil oportunidades. Então, quando fico triste e com saudade, logo penso: a vida vai sorrir de novo pra mim. E acontece. O passado passou, é verdade. Mas ele fez de cada um de nós o nós somos hoje. Então, as experiências não foram em vão, assim como as lembranças jamais deixarão nossa memória. Nem que a gente queira. O presente, este sim, está sorrindo logo ali. E a minha sugestão é: vamos vivê-lo com toda a alegria e intensidade. Assim, daqui a um tempo, sentiremos saudade também desse período, que chamamos de adolescência. Mais saudades? Pois é, só não tem saudades quem passou pela vida e não viveu. E essa não é a sua, né? (Ufaaa!) Nem a minha!
quarta-feira, 10 de junho de 2009
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